Delator de Filho de Lula é ex funcionário do Grupo Folha

A Lava Jato em Curitiba tem contra Lulinha um delator informal, considerado a testemunha-chave da operação Mapa da Mina: Marco Aurélio Vitale, ex-sócio de Jonas Suassuna no Grupo Gol.


SUASSUNA É UM DOS DONOS DO SÍTIO DE ATIBAIA E SÓCIO DE LULINHA NO GRUPO GAMECORP. VITALE, DEPOIS QUE TEVE PROBLEMAS COM A RECEITA FEDERAL, DECIDIU DIVULGAR O QUE SABIA DOS BASTIDORES DA RELAÇÃO EMPRESARIAL ENTRE O FILHO DO EX-PRESIDENTE LULA E SEUS SÓCIOS.

Ele, então, escreveu um livro, chamou atenção da mídia, e de repente viu-se auxiliando a Lava Jato em Curitiba. Vitale, segundo a Folha desta sexta (13), foi “quem ajudou os investigadores da Polícia Federal a levantar indícios contra o filho do presidente em negócio [do Gamecorp] com as empresas de telefonia Oi e Vivo.”

Vitale fez carreira na imprensa. Foi “funcionário do Grupo Folha de 1992 a 2001 na área comercial, sem ligação com a Redação, e passou por outros veículos em funções semelhantes”. Essa trajetória, segundo o jornal, despertou “desconfiança” em Lula, que chamou Vitale de “capa preta” na única vez em que se viram pessoalmente, em 2011.

Como os negócios do Grupo Gol são privados, a Lava Jato não tinha condições de investigar algo que chegasse em Lulinha. Mas uma brecha foi aberta quando Vitale começou a falar de contratos que dariam cobertura aos repasses que os investigadores tacham de suspeitos.

EM 2017, SUASSUNA NEGOU AS SUPOSIÇÕES FEITAS POR VITALE E O ACUSOU DE TENTAR “CHANTAGEÁ-LO ANTES DE PROCURAR A IMPRENSA. DISSE TAMBÉM QUE PROCESSARIA O EX-FUNCIONÁRIO.”

A testemunha, depois daquele espaço na mídia, mostrou aos investigadores “emails trocados entre executivos das empresas que indicavam que o resultado comercial para a Oi dos produtos feitos pelo Grupo Gol eram baixíssimos, comparados à contrapartida dada pela companhia telefônica.”

O delator só começou a falar sobre os negócios de Suassuna quando “após ser chamado pela Receita Federal para explicar uma operação financeira em seu nome com uma empresa de Suassuna.” 
“Auditores fiscais passaram a perguntar sobre outras transações das firmas do ex-chefe e ele respondeu a todas. Foi quando, disse ele, decidiu expor os problemas que via na atuação do Grupo Gol. O caso que o levou ao Fisco foi arquivado.”

A Lava Jato diz hoje que R$ 130 milhões que o Grupo Gamecorp recebeu ao longo de mais de 10 anos da empresa Oi/Telemar, teriam relação com decisões tomadas por Lula no governo federal. E que parte desse dinheiro teria sido usado para a compra do sítio de Atibaia.

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